Advogado faz reflexão sobre a influência da mídia nas decisões da Justiça

O conteúdo publicado pelo advogado Carlos Rebouças, no Facebook, é reproduzido a seguir:

“Quem é criminoso? Quem decide isso? A mídia? O magistrado? O promotor de acusação? Com certeza nenhum desses tem essa prerrogativa.
Expor o pensamento é livre, desde que dentro dos limites da lei, já, fazer juízo de valor não é papel se quer do delegado que presidiu o inquérito, muito menos de qualquer pessoa que não faça parte do corpo de jurados. 
O devido processo legal existe para que não ocorra o mesmo da época medieval, onde a acusação era já uma condenação. Coisa que para nossa grande tristeza tem ocorrido no Brasil, mormente em casos com cobertura midiática. o resultados já conhecemos, são julgamentos errôneos, com desproporção entre crime e punição, isso quando o envolvimento da imprensa não é tão incisivo que acaba tornando impossível um julgamento justo e outras vezes impossibilitar até que se chegue ao que todo processo penal busca, que é a Verdade Real. 

Temos centenas de casos em todo o mundo onde a cobertura midiática frustrou o fim do processo pena de punir o verdadeiro autor do crime de forma razoável e proporcional. Alguns exemplos de casos onde a mídia e o julgamento antecipado do público comandado por esta gerou INJUSTIÇA: “Dália Negra”, “Escola Base”, “Motta Coqueiro”, “caso João relojoeiro”, ” Rubin “Hurricane” Carter”. Todos estes casos falaram em certeza da autoria para condenar os acusados, que sofreram as piores e mais terríveis punições, legais e ilegais, para posteriormente ser descoberto que não praticaram crime algum, em alguns casos se quer se descobriu o autor do crime e em outros não foi praticado da forma que a acusação alegava, todos casos de injustiça.
Não entro aqui no mérito se este rapaz, Lindenberg, desferiu tiros que vitimaram Eloá e sua amiga, ou não, pois apenas os jurados, e após o devido processo legal, com ampla defesa e contraditório, respeitados, é que terão condições de decidirem. Pessoas com cultura, inteligência e esclarecidas não deveriam abrir mão destas garantias que são nossas, dos demais cidadãos, e não apenas do acusado, pois um dia poderemos reivindicar estas garantias para nós ou algum ente querido, e não poderemos reclamar se nos for negado a defesa ampla do que não for acusado, pois já aceitamos que assim o Estado agisse. 
Falar qualquer coisa do trabalho serio que a Advogada de defesa vem fazendo é no mínimo irresponsável, pois é uma profissional que está desempenhando sua função Constitucional, que é múnus público, da mesma forma que a juíza e a promotora de acusação.

Vou aqui plagiar as palavras de Antonio Evaristo de Moraes Filho:
‘O verdadeiro cliente do advogado criminalista é a liberdade humana, inclusive daqueles que não nos compreendem e nos hostilizam, se num desgraçado dia precisarem de nós para livrarem-se das teias da fatalidade’. “

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